junho 01, 2011

Querer estar quente


A chuva caía singular e fria naquela noite. Tudo estava silencioso, a não ser pela chuva caindo no asfalto e nos telhados das casas. O céu só não estava um completo breu por causa das luzes da cidade. Não havia lua, nem estrela alguma.
Nunca o céu descreveu tanto minhas emoções, como se pudesse chorar por mim. Chorar as lágrimas contidas que eu me recusava deixar rolar pela minha face entorpecida pelo sono. Tão fria e mórbida como meu coração após enfrentar tempestade tão perversa.
Isso se restou alguma fração de coração no oco do meu peito. E tempestade perversa, com certeza, foi eufemismo.
Tudo o que eu procurava dentre o frio daquela chuva suave que se aplacava além de minhas janelas era um par de braços quentes para me tirar de tamanha solidão, naquela casa adormecida. Aceitaria de bom grado um amargo café, mas já era tarde e custava dormir tranqüila, quando meus sonhos me perturbavam toda santa noite, gritando para mim mesma o quanto precisava libertar todo o mar acumulado nos meus olhos. O quanto precisava de alguém, nem que fosse só para ficar sentado do meu lado, nem que fosse para ficar observando-o dormir.
Precisava de calor. Algo que acalmasse meus nervos agitados e frios. Frios de tanto horror, e por tanto tempo ter estado sozinha nas noites de sábado e nas manhãs de um monótono domingo.
Tão frios quanto aquela chuva de outono.
Mas aquilo ainda não me era possível. Nem uma pequena porcentagem. Só podia imaginar um alguém, com várias faces, com vários aromas, de vários sabores. Podia apenas querer um par de olhos sobre mim enquanto tentava dormir debaixo de grossos cobertores enquanto a chuva podia ser uma canção de ninar bem suave, lenta. Apenas sonhar, apenas querer. Querer sentir sussurros aos meus ouvidos quando o dia chegasse, só para ter a certeza que eu não estava sozinha.
Não queria malícia, nem carícias, só queria o aconchegante calor da presença de alguém.
O calor que poderia obter naquele momento era dos pesados cobertores e só. Não havia nenhum par de braços, nem sussurros, nem calmaria naquela noite.
Só o frio constante e o barulho da chuva caindo singularmente lá fora.

5 comentários:

  1. toma no cú viiiiu, o melhor texto que você já fez, você conseguiu me deixar confuso sobre mim mesmo.
    O desenho nem se fala né? Tudo a ver -como sempre.
    Parabéns, mais uma vez amr.

    Beijones.

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  2. Que lindo o texto, você estava super inspirada, né? Parabéns!


    Camila F.

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  3. Hello gatíssima!
    Tanto tempo que eu estava sem blogar e visitar sua página, mas vi que você está inspirada como sempre, porque o post está de arrasar ;)
    Eu achava que já era seguidora sua, mas vi que não...agora com ctz já estou te seguindo aqui!
    O blog está lindo!


    Super Power Kisses ;*
    @srtabeijo
    www.senhoritabeijo.blogspot.com

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  4. Eu adoro tudo que você faz. Seus desenhos são magníficos e esse seu texto, realmente inspirador. Eu bem que queria ter alguém pra abraçar agora. Eu não precisaria de mais nada. Não tenho.

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  5. segunda-feira lhe emprestarei um livro.

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