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junho 09, 2011

Um ensaio sobre o vazio, insônia e ursos de pelúcia

7 tortas de limão
Esse texto foi escrito quando acordei no meio da noite, sem nada para fazer. Ele é dramático, exagerado, mas eu gostei. E essa pintura do desenho não ficou nada a ver, mas ok.

Já estava acordada. 2:30 da manhã. Comecei a girar e procurar uma posição agradável na cama para que retornasse ao mundo dos sonhos – uma posição inexistente. Me vi abraçada aos cobertores e ao travesseiro, numa tentativa inútil de me aquecer, que na verdade era somente para me sentir menos sozinha. Alguma coisa de repente foi corroída por dentro, algo que já não existia – o vazio – que já passara de incomodo para uma pontada de dor, e de dor para uma pontada do que já era um tanto desesperador. É desesperador não sentir algo batendo no peito quando se está só, dentre o breu, como um fantasma que não se pode ver. O que eu escutava era apenas o som da minha respiração, o único sinal de que eu ainda estava viva, pois coração já não existia mais. Fora as lágrimas que chegaram como águias ferozes, cortando o céu até o solo.
Ponto. Respira. Parágrafo.
Surgiu em mim aquele desejo enlouquecido de ouvir um som de respiração que não fosse minha e sentir um par de braços ao redor do meu corpo que não fosse os meus próprios, ou meu travesseiro. Alguém que me fizesse sorrir só por um minuto e depois fosse embora, não me importa o depois. Vi que não funcionaria lamentar, nem desejar o impossível de obter a tal hora, e chorei, como uma criança que teve seu brinquedo roubado.
Tentei dormir, inquieta, alternando entre abraçar a mim mesma e abraçar o ursinho de pelúcia jogado no canto do quarto naquele frio, naquele escuro, mas não adormeci.
Já era outro dia. Eu ainda estava acordada
Mais um dia sem esse abraço, mais um dia sem ouvir pequenas batidas no silêncio... sem sair do oco, do vazio, do meu ridículo complexo de solidão.