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julho 08, 2011

Verão inverso

4 tortas de limão
 Custa acordar, abrir os olhos. Meu coração bate, batidas leves de um coração de alguém acabou de acordar, mas não teve nenhum mau sonho, nem bom. Custa levantar, colocar os pés no chão gelado, respirar o ar frio, congelar mais o coração mal aquecido que o inverno fez questão de transformar em algo duro, impenetrável.
Ele bate, mas dentro do gelo, sem derreter, sem quebrar. E assim vivo, nessa rotina incansável, incessante e intensa de andar com um peso congelado no peito. Não amo, não gosto, não sinto. Mas as lágrimas descem aos pedaços, pedaços frios e finos de gelo, o único sinal de que ainda estou aqui. E espero. Insistindo na procrastinação das minhas tarefas, dos meus deveres enquanto contemplo o céu tão azul e limpo, com o sol tão estonteante, que engana, finge que não é inverno. E chega o frio. E então a felicidade vem, mas pela metade. O dia parece quente, mas não o está.
E mais uma vez aguardo, mais uma vez espero. Aguardo com minhas únicas fontes de calor, numa tentativa desesperada de parar de tremer. Custa até mesmo ficar parada, em silêncio, sem algo que chame atenção do meu verão-inverso, meu inverno, que insiste em soprar o ar gélido na minha face ainda entorpecida pelo sono e o calor das cobertas. E do café, claro.
Inverso verão esse que me deixa tão fria por dentro quanto por fora. Vilão das minhas noites solitárias e nas horas do banho, antes quentes. Inverno esse que não me deixa sentir nada além de frio, nada além de lágrimas que congelaram. Nada além de um único sentimento frio, que ainda não tem nome, que não pode ser a tristeza, nem felicidade. Somente cada um pela metade.
Procrastino, aguardo, choro, sinto – pouco, mas sinto – deitada ou de pé, procurando desesperadamente o calor em algum canto iluminado num cômodo qualquer. Contemplo o céu, antes azul, agora estático e cinza e respiro, fundo. Uma, duas ou três vezes. Deixo tudo de lado e aguardo, ansiosamente a primavera chegar.


Este texto faz parte da tag "De Quinze em quinze" do blog depois dos quinze.

agosto 23, 2010

O que espero dessa primavera

3 tortas de limão



A beleza do inverno me inspira. Os dias cinzentos, os edredons, o café quente, a preguiça... Isso me traz um ar de tranqüilidade, como se eu pudesse ficar deitada olhando o céu em diferentes tons de cinza para sempre. Acontece que, junto com a beleza vem o frio. O vento gelado bate em meu rosto, sopra em minha pele e entra em minhas entranhas, me trazendo um grande desconforto. Me congela, por inteira.
E mesmo eu achando os dias de inverno extremamente lindos (acho mais lindo que dias ensolarados) não significa que eu os prefira aos lindos dias de primavera, onde os pássaros cantam e aparecem flores em diferentes cores. Eu sinto falta das joaninhas (eu não vejo joaninhas no inverno) e sinto falta do calor, que me aquece por completo.
Eu espero muitas coisas dessa primavera. Meu ser vai muito de acordo com as estações. E eu sinto tanta falta do calor... do calor do sol. Sinto falta das flores, das cores e das noites estreladas, já que no inverno as noites ficam ainda mais escuras, encoberta de nuvens negras no céu. Das joaninhas, principalmente.
Quero muito dessa primavera. Quero colher as flores do meu jardim. Quero amar de acordo com o clima, quero sentir de novo. E acima de tudo, pegar essas flores e decorar o meu coração, assim que o calor que vier da primavera o libertar do frio, do gelo. Quero sentir meu coração aquecido. Meu coração se congelou com o frio do inverno, e eu espero que o calor, que as cores, que a vida dessa primavera o aqueça novamente.





Super beijinhos,
Hoho'n